Há muitos anos que me debato com uma questão que para mim não faz sentido mas da qual não me consigo libertar- o facto de hoje em dia não ter uma "profissão".
Para mim, ser mãe e dona de casa, motorista, hortelã e tutora devia ser mais que suficiente para eu me sentir feliz mas ...algo não me encaixa.
Ainda hoje me sinto desconfortável com a pergunta sobre a profissão e por isso a maior parte das vezes continuo a dizer que sou professora. Só para não ter mais perguntas. Só para não se sentir a ferver por dentro quando responder que "sou mãe e dona de casa...". Porque sei que do outro lado vai estar alguém a olhar com um sorriso de gozo para mim e a dizer "então é desempregada?!"
Pois, até já houve alturas em que preferi dizer que estava desempregada do que me debater com a explicação de que não. Sou mãe por opção e escolha. Não me considero desempregada.
Não posso com esta falta de enquadramento legal ou social da carreira de mãe, mas pior EU também não me sinto confortável por ser SÓ mãe, por isso como posso censurar os outros por acharem que ser mãe é pouco.
Por vezes dou por mim a pensar se o "cargo" fosse remunerado eu me sentiria diferente. Se fosse reconhecido de alguma forma, pois há dias que me sinto muito invisível. Eu seu que faço a diferença na vida dos meus filhos e não trocaría esta oportunidade por nada, mas mesmo assim gostava de me sentir valorizada. Só um bocadinho. Sinto que sou tida como garantida, sempre lá para apoiar, buscar, resolver, acudir, ensinar, aconselhar e é tudo.
Esta questão é tão mais complicada de explicar do que eu digo aqui, mas para quem é mãe ou pai e faz o que eu faço, penso que saberá do que falo.
Foi um desabafo.
Percebo perfeitamente já que estou nessa situação ainda que aqui seja muito mais comum do que em portugal. Still...há por vezes uma sensação estranha tal como a descrita. Não é facil.
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